Mobilidade como serviço em 4 pontos

Mobilidade com o serviço, ou mobility as a service (MaaS), é um dos assuntos mais falados da nova mobilidade.

Há um conceito sendo muito debatido em fóruns e congressos relacionados à mobilidade mundo afora: mobility as a service ou mobilidade como serviço. Já ouviu falar desses termos?

O “as a service” já é mais conhecido: diz a respeito a venda de direitos de uso, e não necessariamente um produto. Indo mais fundo, essa compra é prática, muitas vezes econômica em relação ao modo anterior e sempre multiplataforma com uma excelente experiência do consumidor.

Podemos perceber isso na infinitude de assinaturas que existem hoje, como Netflix ou Spotify, que antes eram compras (de dvd’s, cd’s, downloads legais ou ilegais, etc.) e hoje são sob demanda em qualquer aparelho compatível com pagamento mensal.

No transporte, por sua vez, o conceito de mobilidade como serviço é a interoperabilidade de diversos prestadores de serviços de transporte em uma mesma plataforma, com variedade de canais e pagamento unificado.

Pode existir uma conta pré ou pós paga ou até mesmo uma mensalidade. O fundamento é ofertar possibilidades de uso de meios de transporte para o consumidor com base em suas necessidades.  

A mobilidade como serviço está cada vez mais próxima da realidade dada toda a infraestrutura de transportes das cidades que se fragmentou rapidamente nos últimos anos.

Passageiros têm soluções com base em suas necessidades, mas que não se conectam. Ainda é necessário uma multiplicidade de cartões, aplicativos e pagamentos para uma viagem multimodal.

Falta existir um meio que facilite a integração entre esses diversos serviços, pois será cada vez mais difícil comportar em nossos celulares aplicativos específicos para a retirada de bicicletas, patinetes, recarga de cartão de transporte, itinerários, carros compartilhados…

O transporte em massa de passageiros sobre pneus ou trilhos encontra na mobilidade como serviço uma oportunidade única de redução de custos, satisfação dos clientes e receitas acessórias. Como?

Pagamento único e informações de uso

Na pesquisa Mobilidade da População Urbana de 2017 (CNT, NTU) pela primeira vez aparece entre as causas que levaram à substituição dos ônibus por outros meios “formas limitadas de pagamento” com 3,4% de representantes. Além disso, dificuldades de acesso ao sistema chegam a 10,8%.

Esses números nos fazem crer em uma demanda para que o transporte público se aproxime da experiência que novos aplicativos de mobilidade oferecem, como comodidade, meios de pagamento alternativo – como aplicativos, chatbots, NFC – e transporte sob demanda.

O pagamento único dentro de um mesmo canal é o primeiro passo para uma integração mais profunda, que possa envolver até tarifas em comum.

Isso porque a utilização dos diversos meios é que possibilitará o planejamento estratégico do poder público e de empresas para ofertar mobilidade no futuro.

Luiz Renato M. Mattos, CEO da OnBoard Mobility, startup que desenvolve soluções de mobilidade como serviço no Brasil, sustenta a possibilidade de integração tarifária entre diversos modais com os aprendizados do uso em comum.

Só será possível criar uma política e ou parceria tarifária sustentável e que faça sentido para os passageiros a partir de dados de utilização ou dados cruzados dos diferentes serviços. Algo que não existe hoje.

Para Mattos “sem esse tipo de cruzamento de dados a tendência é que os planejamentos no transporte público errem ano após ano daqui pra frente”.

Se entendemos que dados de comportamento do consumidor abrem margem para o planejamento assertivo da infraestrutura, podemos nos aprofundar a seguir.  

Uso de dados para planejamento

Um dos mais famosos estudos no Brasil com informações de uso é a pesquisa de Origem e Destino, base para a implementação das políticas de transporte mais eficientes em diversos cantos do país. Em São Paulo há especial destaque com a pesquisa do Metrô.

Para a administração no geral, governo e concessionárias de transporte público, com dados de uso multimodal, estarão muito mais capacitados a tomar decisão. Toda essa informação disponível estará em grande volume e variedade (como estão seus conhecimentos em big data?).

Segmentação de clientes, informações em tempo real e comportamento de uso com modais diferentes dão base ao planejamento estratégico de infraestrutura, reduzindo custose atendendo melhor à população segundo suas necessidades.

Precisamos de sinalização para patinetes nessa via? Aqui é um bom lugar para um ciclovia? Um corredor BRT dará conta da demanda? Como incentivar a caminhada? Recorra aos dados!

Isso é especialmente importante em países emergentes como o Brasil, que possuem dificuldades em financiar e executar grandes projetos.

Pensar em dados de uso do transporte é saber que nenhum meio é completo em si, são partes de um quebra cabeça complexo que é a locomoção das pessoas.

Jeroen Weimar, diretor-chefe da Empresa Pública de Transportes do Estado de Vitória, Austráila, defendeu em Congresso Internacional sobre Intelligent Transport System (ITS) uma maior abrangência do planejamento urbano em relação ao modo de se movimentar das pessoas. 

Conforme nossas cidades crescem precisamos mudar nosso pensamento sobre as soluções mais amplas de mobilidade porque, francamente, infraestrutura não é a única resposta.

Weimar é categórico no papel dos dados na experiência australiana. Segundo ele:

Melhores dados para informar melhores escolhas para viagens são tão importantes quanto soluções baseadas em trilhos e ferrovias.

Muitas vezes a melhor forma de criar um trajeto é entendendo onde as pessoas precisam dele. As marcas ficam pelo caminho…

Transporte sob demanda

A mobilidade como serviço consegue expandir a oferta de mobilidade disponível hoje por abrir caminhos para novos meios. E nessa tendência o transporte sob demanda ganha destaque com tantos cases disruptivos desta década, como Uber, 99, Blablacar e Yellow.

Transportes comuns no passado, como as vans estão voltando e com a proposta de ser sob demanda e conectada com o consumidor atual. No Brasil, empresas de transporte tradicional estão apostando em serviços sob demanda para recuperar passageiros que não frequentam mais as linhas fixas comuns hoje.

Há empreendimentos na área em Goiânia, com o City Bus 2.0 e São Bernardo do Campo com a SBCTrans, que somam tecnologia ao tradicional meio de transporte.

Em ambos os casos vans podem ser alugadas em um aplicativo. As rotas são combinadas com as de outros passageiros e a van ‘se forma’ para os destinos escolhidos com divisão dos custos.

Na Nova Economia destacamos a startup Bondi. A empresa faz a conexão de vans e microônibus com consumidores físicos e corporativos em deslocamentos no estado de São Paulo.

Diferentemente do City Bus 2.9, pela Bondi usuários locam um veículo completo para determinado destino, sem o compartilhamento  com outros usuários.

O futuro do transporte individual

Os mais ávidos à mobilidade como serviço enxergam um futuro onde ter carros estará fora de moda. Os carros nunca foram tão pouco atrativos, a geração mais jovem mal está tirando carta de motorista

Tudo isso, porém, necessita de um protagonismo do transporte público, único capaz de movimentar massas e se tornar o elo de integração entre diversos modais. Com o destaque o transporte coletivo pode retornar a queda histórica de passageiros e recuperar clientes em casos de amor com outros meios.

A possibilidade de impacto positivo sobre as contas do transporte público – que mal se paga hoje no país – é animadora para um setor que precisa de desenvolvimento e uma renovação em suas fontes de receitas, que de forma alguma podem recair ainda mais sobre o consumidor final como é hoje.

*As cidades brasileiras, entre elas São Paulo, Belo Horizonte e Rio, estão entre as mais caras do mundo nos gastos com transporte em relação a renda média mensal.

Como sabemos, um sistema de transportes coletivos é essencial para a qualidade de vida nas grandes cidades e isso inclui pessoas de todas as idades, gêneros e classes sociais que se movimentam e possuem as mais diversas necessidades.

A integração é o que definirá o futuro da mobilidade como serviço,

E diante de tantas novas opções que aparecem para nós, o que é mais interessante é a perspectiva de ter flexibilidade na utilização dos meios de transportes e adequá-los à nossa necessidade, e não o contrário.

A mobilidade como um serviço tem características que a tornam favorável em um país em desenvolvimento como o Brasil, que hoje repensa o financiamento da mobilidade urbana e se esforça para garantir o direito ao transporte garantido pela Constituição.

Com integração entre diversos modais a mobilidade ganha um novo sentido na vida das pessoas e contribui para o pleno exercício da cidadania. 

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Marcos Antonio Moreira
Editor de redação do Agora é Simples. Analista de Marketing na OnBoard Mobility. Mobilidade é uma de minhas paixões, compartilho aqui os melhores insights que encontro sobre o assunto. Me escreva: marcos@agoraesimples.com.br

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